Luciana Kirsten, Roseli Andrade, Vanessa Toledo, Juliana Goes e Paula Malta (Kangaroo Films) No Tricotáh Especial de Verão, o cenário ao ar livre trouxe mais do que brisa e luz bonita. Trouxe uma conversa que combina com janeiro: leve por fora, profunda por dentro. Com plateia pertinho e clima de praia, Vanessa Toledo recebeu as tricoteiras Luciana Kirsten, Roseli Andrade e Paula Malta, além da convidada Juliana Góes, influenciadora, escritora, mentora e palestrante, para um encontro sobre corpo, exposição, autoconhecimento e protagonismo feminino. Ju x Ju: a coragem de voltar para si Juliana começou pela própria trajetória, lembrando que, ao longo da vida, a gente vai criando camadas e, às vezes, elas nos afastam de quem realmente somos. Ela revisitou um marco que muita gente ainda associa ao seu nome: a participação no BBB8, em 2008. A fama veio cedo, intensa, barulhenta, e com ela uma pergunta desconfortável e transformadora: “é só isso?”. Faltava propósito, faltava sentido, faltava sentir que aquilo fazia bem também para quem estava ao redor. A crise existencial virou um caminho de volta para Santos, para as raízes e para uma descoberta importante: a de que a simplicidade pode oferecer uma felicidade que nada supera. Juliana Goes (Kangaroo Films) Sucesso: em cada fase, um nome diferente O papo seguiu para um tema que conecta todo mundo: o que é sucesso pra você, hoje? Para Luciana, sucesso é viver propósito, com clareza de “porquê” e “para quem”. Nem todo dia é “uau”, mas todo dia pode ser “vou fazer o meu melhor”. Para Roseli, sucesso é equilibrar os pratinhos: família, profissão, vida pessoal, espiritualidade, afetos, e também o direito de admitir cansaço. Girar tudo o tempo inteiro desgasta, e reconhecer isso sem culpa também faz parte do caminho. Para Paula, sucesso é estar bem consigo mesma. Ela compartilhou a saída de um ambiente que a adoeceu e a entrada em uma rotina mais leve, onde hoje ajuda pessoas a realizarem sonhos (e, junto com elas, também realiza os seus). Sucesso, para ela, é cabeça tranquila e coração em paz. Verão, corpo exposto e a coragem de não se esconder Com a estação que “expõe mais” como pano de fundo, Vanessa trouxe uma lembrança marcante: um evento em que Juliana subiu ao palco de shorts e disse, com firmeza e doçura, que escolhia não se esconder. Juliana contou que, antes de sair, veio a pergunta automática: “estou adequada?”. E logo a resposta que muda tudo: adequada para quem? Ela nomeou essas dúvidas como caixas impostas, pasteurizações sociais e uma cultura que, muitas vezes, tenta limitar o corpo feminino com regras invisíveis. A fala ficou ainda mais potente quando ela explicou o próprio ciclo: durante anos expôs muito o corpo como modelo, e depois, por diferentes motivos, passou a querer se esconder. Até perceber que isso não era essência, era ruído. Naquele dia, o shorts não foi para aparecer, foi para se validar. E ela acrescentou algo importante: no dia em que quiser se esconder, também está tudo bem. Protagonismo não é performance, é escolha. Kangaroo Films Protagonismo é mais leve do que “empoderamento” Já no segundo bloco, Vanessa compartilhou uma virada pessoal: no início, usava muito a frase “Tricotáh é empoderamento feminino”, mas a palavra começou a incomodar, por soar dura, rígida. Até chegar em um termo que abraça mais: protagonismo. Juliana fez um paralelo precioso: mais do que buscar “equilíbrio”, ela prefere buscar “harmonia”. Equilíbrio lembra o equilibrista na corda bamba, tenso, no limite. Harmonia lembra ajuste possível, humano. E então ela definiu protagonismo de um jeito que dá vontade de anotar: protagonismo é ocupar seus papéis, e isso inclui ocupar a si mesma. Se incluir na agenda. Saber dizer não (sem justificativa). Estar do próprio lado. Pedir ajuda e receber ajuda. Protagonismo não é vestir a capa de mulher maravilha. A capa pesa, cansa, e pode ser largada. Juliana ainda trouxe uma mensagem de uma seguidora de longa data: além de protagonistas, podemos ser autoras. Não apenas viver a história, mas escrever a própria história, com escolhas mais conscientes. É a número um, ponto final! Paula viveu um momento que representou muitas mulheres: ela é número um em vendas, mas ainda sente o peso social de dizer isso sem parecer “metida”. Ela contou sobre uma entrevista em que, mesmo sendo a primeira colocada, a pergunta foi dirigida ao colega homem, como se fosse óbvio que o destaque tinha de ser masculino. A roda respondeu como deveria: com validação. Reconhecimento não é ego. Se reconhecer é importante. É olhar no espelho e dizer “eu consegui, parabéns”, sem precisar provar nada para ninguém. É um “se achar” que não é se colocar acima de ninguém, é só se colocar no próprio lugar. O preço do protagonismo e os “pratinhos” da vida real Roseli foi provocada com uma pergunta difícil: existe preço a pagar pelo protagonismo? Ela falou da própria força motriz: a busca constante por fazer melhor, inovar no cuidado, entregar mais, aperfeiçoar detalhes. E também reconheceu o quanto isso pode consumir. Saúde e espiritualidade aparecem como base, porque sem elas nada se sustenta. Luciana trouxe seu divisor de águas: quando o primeiro filho saiu de casa para estudar. Não foi sobre “ninho vazio”, foi sobre “e agora, quem sou eu?”. Ela descreveu o reencontro com a própria identidade, a volta para hábitos que eram dela, e um dos relatos mais emocionantes do episódio: chorar sozinha no corredor do supermercado, tocada por uma voz que lembrava o filho chamando “mãe”. E, depois, o aprendizado libertador dentro de casa: o direito de viver o próprio luto, mesmo quando o luto do outro parece maior. Dor não se mede, emoção não se compara. E veio uma frase que parece ter sido escrita para fechar o verão com ternura: quando ela perguntou ao filho o que ele mudaria na maternidade, ele respondeu: “mãe, olha pra gente. A gente deu certo.” Um alívio que pousa no peito. Luciana Kirsten, Roseli Andrade, Vanessa Toledo, Juliana Goes e Paula Malta (Kangaroo Films) Limites na exposição: “vive, depois você posta” No fim, Vanessa puxou um tema essencial: Juliana teve um auge de exposição pública e ainda vive sob muita visibilidade. Como ela encontra o limite entre compartilhar e preservar? Juliana respondeu com bom senso e com uma tendência atual de expor menos. Ela contou o exemplo do show de patinação da filha: preferiu viver com olhos e coração, sem gravar. Chorou lembrando da própria história, do pai que perdeu a visão e da continuidade de um gesto de amor passando de geração para geração. E concluiu com uma recomendação simples, quase revolucionária: vive, depois você posta. Ela explicou que cada pessoa tem sua régua, e a régua de uma não serve para outra. O segredo é, no autoconhecimento, encontrar o próprio suficiente. Bastidores do Verão com Kinho Os bastidores também tiveram espaço, com Kinho Font trazendo leveza e curiosidades, e confirmando o que o programa inteiro transmitiu: energia boa se sente. Teve brincadeira sobre beterraba que volta intacta, entrevista com Vanessa, papo sobre “neutrão” no look do trabalho e cor para a praia, bronzeador, protetor solar e aquela vibe gostosa de sentar, ouvir e trocar. Kinho Font (Kangaroo Films) Pra guardar na caixinha Protagonismo, no Tricotáh, não é uma pose. É um retorno. Um jeito de voltar para si, sem pedir licença, sem caber em caixa, sem vestir capa pesada. É a coragem de se incluir na própria vida, de reconhecer conquistas com doçura e de entender que existir com verdade já é uma forma de liberdade. Onde assistir O Tricotáh vai ao ar toda terça-feira, às 19h, com programa inédito, e você pode rever este e outros episódios a qualquer momento no YouTube. Link: https://youtu.be/9RmrsgL-FdI?si=biWcdBT9VYq44HPv