Deborah Cunha, Thaís Campregher, Vanessa Toledo, Michelle Vilarinho e Anatercia Romano (Yara Tomei) A gente aprende a cuidar de tudo. Mas nem sempre aprende a decidir. No episódio desta semana, o Tricotáh trouxe uma reflexão que vai além das escolhas do dia a dia. A conversa abriu espaço para um tema que ainda atravessa muitas mulheres de forma silenciosa: o quanto decidir sobre a própria vida ainda pode ser difícil. Ao lado de Vanessa Toledo, participaram da conversa as tricoteiras Deborah Cunha, Thaís Campregher e Anatercia Romano, além da convidada Michelle Vilarinho, multiempresária, mentora e especialista em construção de patrimônio e autonomia financeira feminina, que conduziu a discussão para um ponto central: protagonismo não é sobre dar conta de tudo. É sobre assumir as próprias escolhas. O automático também é uma escolha Nem sempre a gente percebe que não decidir também é escolher. Muitas vezes, a gente apenas segue, adia, evita, sem perceber que isso também define o caminho. Muitas vezes, a gente adia. Espera. Deixa para depois. Ou simplesmente permite que outra pessoa conduza. Parece mais fácil. Mais leve. Menos arriscado. Mas o tempo mostra que não decidir também constrói caminhos. E nem sempre são aqueles que a gente escolheria. Quando decidir cansa Existe uma ideia de que decidir é libertador. E é. Mas também cansa. A mulher de hoje não decide pouco. Decide o tempo todo. Sobre trabalho, casa, filhos, relações, rotina, futuro. São pequenas escolhas que se acumulam ao longo do dia e, quando somadas, geram um peso que nem sempre é percebido de imediato. Entre a pressa, a sobrecarga e a expectativa de dar conta de tudo, muitas decisões acabam sendo tomadas no impulso. Ou evitadas. O que está por trás da dificuldade de escolher Nem sempre a dificuldade está na decisão em si. Muitas vezes, está no que vem antes dela. O medo de errar. O receio de perder. A necessidade de agradar. E, principalmente, o peso do julgamento. A conversa trouxe também um ponto delicado: o quanto essas travas são construídas ao longo da vida. Não só pela sociedade, mas pelas crenças que vamos carregando sem perceber. Ideias que limitam, silenciam e, aos poucos, afastam a mulher do próprio protagonismo. Entre essas crenças, uma aparece de forma silenciosa, mas constante: a do não merecimento. A ideia de que talvez não seja para mim. De que ainda não é o momento. Ou de que é preciso fazer mais, ser mais, acertar mais para, só então, poder escolher. E, sem perceber, muitas decisões deixam de ser tomadas não por falta de capacidade, mas por uma sensação interna de não se sentir pronta ou merecedora. Michelle Vilarinho (Yara Tomei) Dinheiro, liberdade e desconforto Quando o assunto chega no dinheiro, o desconforto aparece. Ainda existe um distanciamento real entre muitas mulheres e as decisões financeiras da própria vida. Não por falta de capacidade, mas por falta de hábito, incentivo e, muitas vezes, por nunca terem ocupado esse espaço de fato. Ao longo da conversa, o dinheiro deixa de aparecer como objetivo e passa a ser entendido como ferramenta. Ferramenta de escolha de segurança, de autonomia. Mais do que quanto se ganha ou se gasta, o ponto passa a ser outro: o nível de consciência sobre o próprio dinheiro. Participar das decisões. Entender o que está sendo construído. Saber para onde está indo. Porque autonomia não começa no valor, começa na presença. O preço de não olhar para isso Em algum momento, essa ausência de decisão deixa de ser invisível. E geralmente não é no dia a dia. É quando a vida exige posicionamento. Em mudanças de rota. Em recomeços. Em rupturas. É nesse momento que muitas mulheres percebem que não participar também foi uma escolha. Relacionamentos longos em que não se sabe exatamente o que foi construído. Decisões patrimoniais que nunca foram acompanhadas. E uma sensação tardia de não ter feito parte da própria história financeira. Não se trata apenas de grandes patrimônios. Às vezes, é sobre um único imóvel. Sobre uma reserva que não existe. Sobre escolhas que foram sendo adiadas ao longo do tempo. E, quando esse cenário muda, a consequência aparece. Porque abrir mão de decidir pode até parecer mais simples no presente. Mas, muitas vezes, é uma das escolhas mais caras no futuro. Assumir escolhas também é sustentar caminhos Decidir não é só escolher. É sustentar. E isso nem sempre é confortável. Ainda existe julgamento. Ainda existe expectativa. Ainda existe uma cobrança silenciosa para que a mulher seja conciliadora, adaptável, compreensiva. Mas assumir o protagonismo passa justamente por isso: escolher mesmo quando não é o mais fácil. Pra guardar na caixinha Nem sempre a gente vai ter certeza. Mas sempre vai ter escolha. E talvez o primeiro passo não seja decidir certo. Seja simplesmente parar de deixar que decidam por você. Deborah Cunha, Thaís Campregher, Vanessa Toledo, Michelle Vilarinho e Anatercia Romano (Yara Tomei) Onde assistir O episódio completo está disponível no canal do Tricotáh no YouTube, com exibição inédita toda terça-feira, às 19h. Link Youtube: https://youtu.be/_OgsxqG9OXY?si=YoQON2Ua8AVH5zgW