A união em torno de iniciativas de sustentabilidade, a melhor comunicação dessas atitudes e o compartilhamento de informações sobre o assunto formam um trio que serve de lição de casa para os portos brasileiros e entidades ligadas ao setor avançarem de maneira mais equilibrada no tema. É a conclusão do painel realizado durante o 3º Encontro COP Portos Sustentáveis, nesta terça-feira (2), na sede do Porto de Santos. A mediação foi do consultor de assuntos portuários do Grupo Tribuna, Maxwell Rodrigues. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A diretora-executiva na Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), Gilmara Temóteo, acredita que a pauta da agenda climática só irá evoluir realmente se todos tiverem um entendimento e respostas coletivas. “Todos ficam um pouco ‘sambando’ e ‘sapateando’ com ações individuais e que não geram esse resultado coletivo esperado. Após esses três encontros (os outros foram em Paranaguá e em Suape), acho que fica mais clara a discrepância que existe nos portos brasileiros: alguns têm pautas e agendas já muito bem avançadas nessa área, enquanto outros com passos mínimos. Mas nenhum porto vai ficar para trás nisso”, afirma. O diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná, João Paulo Ribeiro Santana, defende mais interação entre os portos brasileiros. “Podemos buscar tentar colocar no PL 733/2025 (nova Lei dos Portos) para que, por exemplo, portos que sejam superavitários possam reservar um pouco de recursos para um banco de projetos. Somos concorrentes na carga, mas temos problemas que são comuns”, argumenta. Especialista em cultura oceânica, Ana Vitória Tereza de Magalhães explicou no evento sobre a relação do tema com os portos. “Temos falado sobre a descarbonização, mas dão um pouco as costas para o oceano. É importante conversar com o setor privado para melhorar projetos de responsabilidade corporativa, trazendo o oceano para o centro das decisões”. (Alexsander Ferraz/AT) Cadeia logística e combustíveis A chefe de Divisão de Estratégia e Gestão do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), Débora Diniz, valorizou o interesse das empresas na busca do Selo ESG instituído pela pasta. “Já posso dizer que são mais de 40 que estão disputando esse selo de sustentabilidade. E é exatamente um comprometimento do privado com o tema”, revela. Ele reconhece empresas do setor que demonstram compromisso com essas práticas. As empresas podem obter o selo em quatro categorias: bronze, prata, ouro e diamante. O CEO do Porto Itapoá (SC), Ricardo Arten, lembrou que o olhar tem de ir além da busca por um selo ou do cumprimento de metas estabelecidas. “A maioria dos grandes portos e terminais tem genuinamente a ideia de ser responsável nas partes ambiental e social. E o restante da cadeia logística? Em Itapoá, por exemplo, é 100% caminhão, se é que a gente pode chamar grande parte deles de caminhões”, pondera. A gerente executiva de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Santos Brasil, Béatrice Dupuy, ponderou sobre os custos envolvendo a transição energética. “Temos diferentes combustíveis. Precisaremos nos adaptar para armazena-los. Isso gera investimento enorme nos terminais. O combustíveis sustentável custa de três a cinco vezes mais caro que os fósseis hoje. Sem incentivo para os terminais e para os armadores, vamos criar desigualdade entre armadores e rotas”, afirma. “E temos que olhar mais para dentro de casa: temos cana no Brasil e, assim, etanol. Por que no carro pode e no navio não?”, emenda. O superintendente de Meio Ambiente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Sidnei Aranha, avalia que o Brasil pode ser protagonista no assunto. “Quero trazer o lado otimista: acho que o Brasil está no caminho certo, a despeito das reclamações do setor. Saio daqui convencido que podemos ser a dianteira dessa transição e dessa modificação”, afirma.