<p data-end="533" data-start="121">Antes de falar em combustíveis verdes ou em metas ambiciosas de descarbonização para a navegação, é preciso encarar problemas mais imediatos: a falta de capacidade e eficiência nos portos brasileiros. Foi o que alertou Danilo Veras, vice-presidente da América Latina de Políticas Públicas e Regulatórias da Maersk, durante palestra no 3º COP Portos Sustentáveis, nesta terça (2), na Autoridade Portuária de Santos (APS).</p> <p data-end="867" data-start="535"><a href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9pacEEQIajbRkGGm1Y">Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp!</a></p> <p data-end="867" data-start="535">“Ou a gente vai endereçar a questão da capacidade de atracação e deixar que os investimentos aconteçam, ou não adianta você trocar IFO (óleo combustível marítimo) por metanol, se o teu navio vai ficar 44, 48 horas fundeado, queimando, o que quer que seja que você esteja queimando, na barra, aguardando para atracar”, disse Veras.</p> <p data-end="1124" data-start="869">Para o executivo, a descarbonização da navegação é inevitável, mas está cercada de dilemas. O primeiro deles é financeiro. “Descarbonização é superlegal de a gente falar, mas alguém precisa pagar essa conta. Quem quer pagar por essa conta?”, questionou.</p> <p data-end="1470" data-start="1126">Ele lembrou que a Maersk foi a primeira empresa do setor a dar um passo concreto para resolver o que chama de “dilema do ovo e da galinha”: investir em navios movidos a combustível limpo mesmo sem garantia de fornecimento adequado. Ainda assim, destacou que o custo é elevado — um navio movido a metanol, por exemplo, chega a US\$ 300 milhões.</p> <p data-end="1843" data-start="1472">Outro ponto crítico, segundo Veras, é a falta de consenso sobre qual combustível será o padrão no futuro. “Vai ser GNL, gás? Metanol? Biocombustível? Onde é que vai estar essa tancagem de quem você vai consumir?”, enumerou. Ele lembrou que diferentes armadores estão apostando em rotas tecnológicas distintas, o que dificulta a padronização da infraestrutura portuária.</p> <p data-end="2069" data-start="1845">Essa incerteza traz riscos para os terminais, que precisam decidir se investirão em tancagem, eletrificação ou outras soluções. Veras destacou que a Maersk assumiu compromisso de atingir a neutralidade de carbono até 2040.</p> <p class="p-smartimagebox"><img attr-cid="policy:1.477746" attr-version="policy:1.477746:1756866539" class="p-smartimage" src="/image/policy:1.477746/3_Encont.JPG?f=3x2&w=400&q=0.3" /><br /> <span class="p-smartcaption">Flavio da Rocha Costa explicou as iniciativas sustentáveis da empresa (Alexsander Ferraz/AT)</span></p> <p data-end="2415" data-start="2361"><strong data-end="2413" data-start="2361">Eldorado Brasil aposta em logística carbono zero</strong><br /> A Eldorado Brasil Celulose já nasceu com uma vantagem: sua cadeia produtiva e logística é carbono zero. Esse foi o ponto central da palestra de Flavio da Rocha Costa, diretor de Logística da empresa, durante o 3º COP Portos Sustentáveis, em Santos. “Temos o privilégio de trabalhar numa empresa que é carbono zero. Desde o início das operações (2013) até hoje, a Eldorado já capturou 12 vezes mais carbono do que gerou”, afirmou.</p> <p data-end="3181" data-start="2934">A empresa produz 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano, com 80% a 90% voltadas à exportação. Para garantir eficiência ambiental e competitividade, o diretor reforçou que a sustentabilidade acompanha toda a cadeia, da plantação ao embarque.</p> <p data-end="3442" data-start="3183">Ele lembrou que a fábrica, em Três Lagoas (MS) é autossuficiente em energia, aproveitando o subproduto do processo industrial, como combustível para caldeiras. “Hoje geramos toda a energia que consumimos e ainda vendemos excedente para o mercado”, explicou.</p> <p data-end="3710" data-start="3444">A preservação florestal e o monitoramento ambiental também fazem parte do pacote. “Temos 26 torres de vigilância cobrindo 83% da nossa área e mais de 34 mil câmeras para registro da fauna. Isso garante o manejo sustentável e a proteção contra incêndios”, detalhou.</p> <p data-end="3981" data-start="3712">No campo logístico, a Eldorado aposta em alternativas ao transporte rodoviário, com foco em trem e barcaça. “Já operamos barcaças pelo Rio Tietê e pretendemos retomar com mais segurança agora que o governo avança na derrocagem de trechos críticos da hidrovia”, disse.</p> <p data-end="4316" data-start="3983">O executivo revelou ainda que a empresa recebeu autorização para construir 90 quilômetros de ferrovia ligando Três Lagoas a Aparecida do Taboado (MS), um investimento estimado em R\$ 2 bilhões. “A ideia é tirar a carga de dentro da fábrica direto para o terminal ferroviário, reduzindo emissões e aumentando a eficiência”, destacou.</p>