Brasil pode liderar descarbonização marítima, com metas graduais, incentivos econômicos verdes e governança digital, diz relatório técnico (Alexsander Ferraz/AT) O Grupo Tribuna entregou nesta segunda-feira (18) o documento técnico-jurídico COP Portos Sustentáveis ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em Brasília. O material, que identifica o potencial e os desafios dos portos brasileiros para a transição energética, será enviado à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontece em Belém, no Pará. O evento começou no último dia 10 e se encerrará na sexta-feira. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O documento foi entregue ao chefe de gabinete do MDIC, Pedro Guerra, que o endereçará ao vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin. Participaram o diretor Comercial do Grupo Tribuna, Demetrio Amono, o consultor para assuntos portuários, Maxwell Rodrigues, e a diretora-executiva da Associação Brasileira de Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), Gilmara Temóteo. Pedro Guerra, chefe de gabinete de Alckmin, recebe o documento (Divulgação) O texto, com 126 páginas, apresenta um panorama do processo de descarbonização no setor portuário, evidenciando que o País tem vantagens competitivas naturais e iniciativas práticas já em curso em alguns portos. O material foi produzido pela comissão jurídica da COP Portos Sustentáveis, constituída pelos advogados Cristina Wadner e Fábio Silveira, a partir de coleta de dados de portos e contribuições de entes públicos e privados nos encontros realizados no Porto de Paranaguá (PR), em 15 de julho, no Complexo Industrial e Portuário de Suape (PE), em 13 de agosto, e no Porto de Santos, no dia 2 de setembro. “A partir de visitas técnicas e benchmarks internacionais, demonstra-se que o Brasil reúne condições para liderar a descarbonização marítima, desde que adote metas graduais, incentivos econômicos verdes e governança digital interoperável”, diz o texto. O documento indica também o potencial brasileiro em biocombustíveis marítimos e a necessidade de uma decisão estratégica sobre combustíveis prioritários. Aponta a oportunidade de monetização via mercado de carbono e a importância de padronização metodológica. O diagnóstico do setor portuário identificou que, “mesmo com limitações de infraestrutura elétrica, a expansão é considerada viável mediante planejamento conjunto e padrões técnicos internacionais. A cooperação global surge como elemento-chave, e a COP30 é vista como oportunidade histórica para consolidar o Brasil como potência verde. Por fim, afirma-se que metas, financiamento e dados formam o núcleo da estratégia nacional, posicionando os portos como ativos climáticos e modelos de uma transição energética justa, com potencial de liderança internacional”. “É um relatório robusto e fiel à visão de todas as áreas do setor portuário. O documento reúne percepções de armadores, terminais e autoridades portuárias, após visitas a portos com perfis distintos: Paranaguá, Santos e Suape e, por isso, deve se tornar referência quando o assunto é descarbonização dos portos brasileiros”, comemorou Amono. Maxwell Rodrigues ressaltou que foi entregue um documento técnico elaborado por especialistas onde foi pontuado o que é possível realizar. “Ao longo dos três encontros percebemos que os portos do Brasil avançaram no tema e que pelo Brasil ser um país com dimensões continentais existem iniciativas no norte que não são compartilhadas com o sul e vice-versa”. Rodrigues pontua que não se pode perder a oportunidade de implementar projetos sustentáveis. “Não somente na proteção da fauna e da flora, mas que contribuem com a vida do cidadão e com a economia. Em 2026, daremos continuidade nesse projeto tão bem estruturado”.